Imagens de satélite mostram a evolução das voçorocas de Buriticupu nos últimos sete anos

Imagens de satélite mostram a evolução das voçorocas de Buriticupu nos últimos sete anos Imagens de satélite mostram a dimensão do avanço das voçorocas...

Imagens de satélite mostram a evolução das voçorocas de Buriticupu nos últimos sete anos
Imagens de satélite mostram a evolução das voçorocas de Buriticupu nos últimos sete anos (Foto: Reprodução)

Imagens de satélite mostram a evolução das voçorocas de Buriticupu nos últimos sete anos Imagens de satélite mostram a dimensão do avanço das voçorocas em Buriticupu, cidade localizada a 415 km de São Luís nos últimos sete anos (veja as imagens acima). O fenômeno, que já causou mortes, destruiu dezenas de residências e afeta diariamente a rotina de centenas de moradores, persiste há mais de três décadas. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Maranhão no WhatsApp 🛰️ As imagens obtidas pelo g1 foram geradas por satélites da Planet, empresa norte-americana do setor, e processadas pela SCCON, empresa brasileira de tecnologia geoespacial. Os equipamentos geram alertas e identificam mudanças em áreas desmatadas, deslizamentos de terra e outros fenômenos, como as voçorocas. Ao todo, o município conta com 33 voçorocas catalogadas, algumas com mais de 600 metros de extensão e 80 metros de profundidade. Em mais de 30 anos, o fenômeno já causou a morte de sete pessoas e afetou a vida de 360 famílias que, em muitos casos, precisaram deixar suas casas. O monitoramento foi feito entre os anos de 2019 e 2025. Dentro de um círculo vermelho, é possível observar o aumento das voçorocas ao longo dos anos, especialmente entre 2023 e 2025, período em que o município passou a ser conhecido como a “cidade das crateras gigantes”. Cidade das crateras gigantes: em quatro décadas, 33 voçorocas já provocaram sete mortes e afetaram mais de 360 famílias em Buriticupu Ao g1, o geólogo e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Marcelino Farias, explicou que a erosão observada nas imagens avança em razão da instabilização das paredes das voçorocas, provocada pela retenção de umidade causada pelo esgoto e pelo aumento do fluxo de água pluvial. “É possível observar que a erosão cresce mediante a instabilização dos taludes, ou ‘paredes’ das voçorocas, a partir da retenção de umidade pela deposição de esgoto, supressão da vegetação e aumento do fluxo de água pluvial. O aumento do fluxo de água se dá devido ao crescimento da cidade e à impermeabilização das ruas, sem drenagem ou com drenagem inadequada”, explicou. Entenda ponto a ponto a crise das voçorocas que avançam há décadas em cidade do Maranhão Ao longo dos anos, outro ponto que chama atenção nas imagens é a perda da vegetação nativa ao redor dos paredões. Segundo o geólogo, isso acontece em razão do rápido crescimento urbano, o que contribui para a intensificação dos focos de erosão. “A cobertura vegetal tem mudado muito ao longo dos anos no entorno da cidade por causa do rápido crescimento urbano. A retirada dessa cobertura resulta na perda da camada de raízes, que dificulta a erosão, além de reduzir a infiltração da água no solo, aumentando o escoamento superficial, o que favorece o surgimento e a intensificação de focos erosivos”, explicou o professor ao g1. O monitoramento Evolução das voçorocas de Buriticupu ao longo dos anos PlanetScope via SCCON As imagens fazem parte de um monitoramento realizado pelo Programa Brasil MAIS, que conta com mais de 100 satélites responsáveis por acompanhar cerca de 8,5 milhões de km², incluindo o território brasileiro. As imagens ajudam órgãos públicos e empresas privadas a mapear áreas de risco. Os satélites responsáveis pela captação das imagens estão em órbita a cerca de 550 quilômetros da Terra e possuem sensores capazes de captar sinais que geram imagens em alta resolução, possibilitando uma análise detalhada da situação. Como a Terra gira em torno do próprio eixo, é possível obter imagens de toda a superfície terrestre diariamente, ao longo de todo o ano. O que são as voçorocas? Voçorocas em Buriticupu (MA): primeiras erosões começaram a se formar há 30 a 40 anos Reprodução/TV Globo Com o início do período chuvoso no Maranhão, as voçorocas ficam ainda mais vulneráveis. Isso porque a chuva e o relevo ondulado da região favorecem o avanço das erosões. ➡️ As voçorocas são fenômenos geológicos que surgem como fendas no solo, geralmente provocadas pela água da chuva. Se nada for feito para conter, uma erosão pode evoluir até atingir o lençol freático, tornando-se uma voçoroca. ⚠️ Esses processos são acelerados pela ação da chuva e pelas enxurradas em áreas com solo sem cobertura vegetal. As crateras se formaram a partir da rápida expansão urbana e como consequência do desmatamento da vegetação nativa em áreas de alta declividade, somado à falta de planejamento no crescimento da cidade. “O que tem feito essas erosões aumentarem consideravelmente é o crescimento urbano sem planejamento. Não há um Plano Diretor que contemple essas mudanças urbanas e as ruas pavimentadas não contam com drenagem. Por isso, no período chuvoso, toda rua vira um rio e essa água é encaminhada para uma encosta que vira uma voçoroca”, explica Marcelino Farias, professor do curso de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Voçorocas em Buriticupu (MA): primeiras erosões começaram a se formar há 30 a 40 anos Reprodução/TV Globo O que pode ser feito? O surgimento de novas crateras pode ser prevenido para evitar tragédias de maiores proporções. Ao g1, o professor Fernando Bezerra, do programa de pós-graduação em Geografia, Natureza e Dinâmica do Espaço da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), explica que é necessário investir na proteção do solo com cobertura vegetal. Para ele, é fundamental preservar a vegetação em áreas próximas às encostas e nascentes de rios, além de evitar queimadas e desmatamento. “A população que vive em torno das cabeceiras das voçorocas precisa ser retirada para evitar novas tragédias. Também é necessário desviar os fluxos de água que chegam às cabeceiras das erosões, investir no plantio de espécies arbóreas nas bordas e no interior das crateras e aplicar técnicas de bioengenharia de solos”, explicou o professor. Desmatamento causou crateras que ameaçam 'engolir' casas no MA Kayan Albertin/g1