VÍDEO: Parte de rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu
Parte de rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu Parte de uma rua foi “engolida” por uma voçoroca na Vila Isaías, na cida...
Parte de rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu Parte de uma rua foi “engolida” por uma voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu, a 415 km de São Luís. O caso aconteceu na madrugada desta sexta-feira (1º), por volta das 3h, quando um barranco cedeu tragado pela cratera gigante na rua São Francisco (veja, no vídeo acima, como ficou o local após o desabamento). Segundo Isaías Cardoso Aguiar, presidente da Associação de Áreas Atingidas por Voçorocas — entidade criada em 2021, no momento do desabamento, uma moradora precisou retirar seus bens às pressas de casa, com medo que o imóvel fosse tragado pela cratera. A residência, que está próxima o abismo, corre o risco de desabar. Parte de rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu Divulgação/Isaías Cardoso Aguiar ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Maranhão no WhatsApp Ao longo dos últimos anos, com o avanço das erosões, dezenas de famílias estão deixando suas casas e buscando imóveis para alugar em áreas mais seguras. O problema das crateras gigantes afeta Buriticupu há cerca de quatro décadas. Nesse período, as mais de 30 voçorocas já provocaram sete mortes e afetaram mais de 360 famílias na cidade. Leia também: Entrega de casas destinadas a famílias afetadas por voçorocas no MA está atrasada há quase dois anos Entenda ponto a ponto a crise das voçorocas que avançam há décadas em cidade do Maranhão Secretário de Infraestrutura de Buriticupu é alvo de ação do MP por omissão em obras das voçorocas Parte de rua é 'engolida' por voçoroca na Vila Isaías, na cidade de Buriticupu Divulgação/Isaías Cardoso Aguiar Quatro décadas: 33 voçorocas e sete mortes em Buriticupu Famílias sofrem com avanço de voçorocas em Buriticupu Há quase 40 anos, o município de Buriticupu, a 415 km de São Luís, convive com processos erosivos graves, conhecidos como voçorocas, que avançam sobre boa parte da cidade. O fenômeno já causou a morte de sete pessoas e ameaça, diariamente, a rotina de milhares de moradores afetados. 💡 Buriticupu está localizado no topo de uma região com cerca de 200 metros de altitude, cercada por vales (entenda mais abaixo). Os abismos formados por areia, silte e argila chegam a mais de 600 metros de extensão e 80 metros de profundidade. Em quatro décadas, 33 voçorocas já foram catalogadas na cidade. O avanço contínuo do fenômeno tornou Buriticupu conhecida como “a cidade das crateras gigantes”. Desde então, o problema tem sido acompanhado de perto por entidades, sendo é alvo de ações do Ministério Público do Maranhão e de obras do Governo Federal. Entretanto, do outro lado, os moradores que sofrem com o avanço das voçorocas alegam que as medidas executadas ainda não são suficientes e reclamam do descaso por parte do poder público. Crateras que engolem histórias Buriticupu, cidade das crateras gigantes no Maranhão, vê problema das voçorocas aumentar Jornal Nacional/ Reprodução Ao longo dos anos, 83 casas já foram destruídas ou engolidas pelas erosões em Buriticupu. Apesar de quase quarenta anos de existência, o problema passou a afetar diretamente a população de forma mais intensa a partir de 2015. Ao g1, Isaías Cardoso Aguiar explica que o fenômeno acompanhou o crescimento da cidade para áreas vulneráveis. A partir desse período, começaram a ser registrados os casos mais graves, como casas sendo engolidas pelas crateras e acidentes mais frequentes. “Até 2015, a população não tinha conhecimento das erosões. Existiam três que eram mais conhecidas, mas não incomodavam e não assustavam. A partir de 2015, a cidade cresceu mais e, com esse crescimento, veio acompanhado esse problema erosivo. Foi a partir desse período que começaram justamente as casas sendo engolidas”, explicou o presidente. Uma das maiores crateras de Buriticupu fica localizada na Vila Santos Dumont e, sozinha, já teria engolido 50 residências. No total, 360 famílias foram afetadas pelo avanço das erosões, e outras centenas ainda vivem em áreas de risco. Durante o período chuvoso, o medo se torna constante para quem vive próximo às crateras. Moradores relatam que, durante a noite, é comum ouvir fortes estrondos provocados pelo desmoronamento das barreiras de terra, sinal de que as erosões continuam avançando. Em um ano, uma única cratera avançou cerca de 18 metros. O buraco engoliu tudo por onde passou, partiu a rua ao meio e desabrigou 16 famílias. Uma das casas afetadas é a da família da dona de casa Geysa dos Santos, que lamenta ver a destruição do imóvel onde cresceu. A Rua da Independência é um dos pontos onde há uma voçoroca. Nos últimos três anos, nove casas foram engolidas pelas crateras e outras seis foram abandonadas por famílias que ficaram com medo dos riscos. LEIA MAIS Crateras de até 80 metros, 7 mortos em acidentes e dezenas de casas engolidas: os 30 anos das voçorocas em Buriticupu Buriticupu, cidade das crateras gigantes no Maranhão, vê problema das voçorocas aumentar O que são as voçorocas? Enormes crateras se formaram por causa das chuvas, em Buriticupu Reprodução/Marinho Drones Com o início do período chuvoso no Maranhão, as voçorocas ficam ainda mais vulneráveis. Isso porque a chuva e o relevo ondulado da região favorecem o avanço das erosões. ➡️ As voçorocas são fenômenos geológicos que surgem como fendas no solo, geralmente provocadas pela água da chuva. Se nada for feito para conter, uma erosão pode evoluir até atingir o lençol freático, tornando-se uma voçoroca. ⚠️ Esses processos são acelerados pela ação da chuva e pelas enxurradas em áreas com solo sem cobertura vegetal. As crateras se formaram a partir da rápida expansão urbana e como consequência do desmatamento da vegetação nativa em áreas de alta declividade, somado à falta de planejamento no crescimento da cidade. “O que tem feito essas erosões aumentarem consideravelmente é o crescimento urbano sem planejamento. Não há um Plano Diretor que contemple essas mudanças urbanas e as ruas pavimentadas não contam com drenagem. Por isso, no período chuvoso, toda rua vira um rio e essa água é encaminhada para uma encosta que vira uma voçoroca”, explica Marcelino Farias, professor do curso de Geografia da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Desmatamento causou crateras que ameaçam 'engolir' casas no MA Kayan Albertin/g1 O que pode ser feito? O surgimento de novas crateras pode ser prevenido para evitar tragédias de maiores proporções. Ao g1, o professor Fernando Bezerra, do programa de pós-graduação em Geografia, Natureza e Dinâmica do Espaço da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA), explica que é necessário investir na proteção do solo com cobertura vegetal. Para ele, é fundamental preservar a vegetação em áreas próximas às encostas e nascentes de rios, além de evitar queimadas e desmatamento. “A população que vive em torno das cabeceiras das voçorocas precisa ser retirada para evitar novas tragédias. Também é necessário desviar os fluxos de água que chegam às cabeceiras das erosões, investir no plantio de espécies arbóreas nas bordas e no interior das crateras e aplicar técnicas de bioengenharia de solos”, explicou o professor. Justiça determina medidas A situação das voçorocas em Buriticupu também é alvo de uma Ação Civil Pública movida pelo Ministério Público do Maranhão. Em 3 de fevereiro de 2025, a Justiça determinou que o município adotasse uma série de medidas para enfrentar o problema das erosões. Entre as determinações está o isolamento e a sinalização das áreas com risco de desabamento, além da atualização do cadastro das famílias que vivem próximas às áreas afetadas e a garantia de aluguel social para aquelas expostas a risco iminente. A decisão também estabelece que a prefeitura apresente um plano detalhado de obras de contenção das voçorocas, com cronograma físico financeiro, e implemente medidas de mitigação dos impactos ambientais. Mesmo após a decisão, o município apresentou recurso de apelação em março de 2025. O caso foi encaminhado ao Tribunal de Justiça do Maranhão, onde aguarda julgamento. Enquanto isso, a Justiça determinou que a prefeitura apresente documentos comprovando o cumprimento das medidas estabelecidas. Na sexta-feira, acabou o prazo dado pela Justiça do Maranhão, mas até agora, o relatório não foi entregue. O que dizem os citados? Procurado, o Ministério da Integração e Desenvolvimento Regional afirmou que mais de R$ 50 milhões estão empenhados ou em análise para projetos de drenagem e recuperação de áreas e moradias atingidas. Até o momento, a Prefeitura de Buriticupu não se manifestou sobre o caso.
